O refúgio para a morte

O mundo hoje carrega a maior marca de refugiados da história, cerca de 60 milhões. Com destaque para o continente europeu, que carrega o maior número destes desde a Segunda Guerra Mundial. Alguns países, como a Síria, estão em um conflito tão intenso que obriga sua população a se deslocar para países europeus a qualquer custo, mesmo que a embarcação para o trajeto seja a pior possível, e mesmo que isso venha a lhe custar a vida. E com esta perspectiva, com o desespero, e sem outras alternativas viáveis, são noticiados vários casos como o do menino sírio Ailan Kurdi, de apenas 3 anos.
Provavelmente muitas pessoas já ouviram aquela expressão egoísta que se dizem por aí de que, se o problema não é seu, você não tem nada a ver com isso; se não te incomoda, não há com o que se preocupar. E pensando assim, o mais temido (e neste caso, o menos eficiente) conselho de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), continua vivendo sua vida tranquila sem se preocupar com as milhares de famílias que são recebidas a tiros pela guarda costeira de países que se recusam a receber refugiados, e muito menos com crianças que não têm a mínima noção do que é aquilo que estão vivenciando. Por ironia ou não a organização que tem por finalidade manter a ordem internacional, vem sendo desqualificada perante a soberania de grupos radicais.
No início deste mês uma imagem, tirada em uma praia na Turquia, chocou a população mundial. A foto seria de uma criança de 3 anos que morreu enquanto estava refugiando de seu país de origem com os seus pais. A imagem é extremamente forte, chocante, e uma das piores cenas já retratada. Uma criança inocente, que desconhece completamente o sentido da vida, deitada na areia na posição mais angelical possível, com uma calma sem igual em seu rosto infantil, porém morta. Ailan e sua família estariam se refugiando rumo ao Canadá quando a embarcação na qual estavam afundou. Junto com ele também morreram sua mãe, Rehan, e seu irmão de 5 anos, apenas seu pai conseguiu se salvar do acidente. Mas estes são apenas os componentes desta família, com relação aos outros, também presentes nesta embarcação, ainda não existem dados concretos.
O pior de tudo é que esta família já havia solicitado asilo para o país norte americano, mas este teria sido rejeitado pelas autoridades. A única solução foi sair do país de maneira ilegal, e se livrar dos domínios do maior grupo terrorista da atualidade, o Estado Islâmico.
Este caso, infelizmente, não representa nem uma parcela significativa dos descasos com refugiados por todo o mundo. Algumas autoridades se fecham diante deste problema o qual deveria haver um acordo mútuo para que a vida destes refugiados fossem preservadas. Casos como o deste bebê acontecem diariamente, mas os poderes internacionais optam por não apresentarem as proporções catastróficas e o estado de calamidade deste problema que assola todo o mundo.
Seria necessário, o quanto antes, uma política de recolhimento dos refugiados, tirando-os destes países conflituosos. Com esta cooperação, talvez não existiriam tantos outros Ailan Kurdi pelo mundo. Descanse em paz pequeno grande guerreiro…

Representação da captura do pequeno Ailan Kurdi. A ausência de cores representa o fim de uma vida que ainda nem havia florescido. As distorções representam os conflitos .
Representação da captura do pequeno Ailan Kurdi. A ausência de cores representa o fim de uma vida que ainda nem havia florescido. As distorções representam os conflitos .
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