Estética dos movimentos surrealistas e de contracultura

Surrealismo
A estética do surrealismo é, de certa forma, baseada nos sonhos, pois também apresenta descontinuidades narrativas e visuais, ambiguidade, fragmentação, irracionalidade e até mesmo um certo tom poético, principalmente em suas obras. Todas essas características são moldadas e até mesmo dramatizadas através de uma cobertura abstrata, onde aquilo que é sensorial se sobrepõe ao concreto, dando lugar à fantasia.
Sua estética ousada busca uma realidade absoluta, servindo como uma espécie de “ponte” entre dois mundos, o consciente e o inconsciente. Sensações diferentes nos atingem durante o contexto onírico (dos sonhos) e na vivência diurna, por esses motivos somos capazes de distinguir as diferentes situações, e também pelo fato de que essas manifestações oníricas são dramatizadas, exprimindo os sentimentos de modo visceral e alucinado. E por este motivo também se explica o fato de que os sonhos dificilmente são compreendidos, pois eles não são vistos sob o aspecto racional mas sim de forma subjetiva, onde a emoção se sobrepôs à lógica, dando autonomia ao inconsciente de experimentar toda a sua vivência diurna.
Os surrealistas dizem que a arte deve se libertar da ideia de lógica e razão, e ir além da lógica do cotidiano, sempre buscando expressar o mundo do inconsciente e dos sonhos.
A estética surrealista é baseada na “quebra dos padrões”, já que foi além da simples reprodução da realidade. Esse movimento pregava que a expressão artística deveria se referir aos modelos internos do homem, não sendo condicionado por movimentos culturais. Para que esse modelo fosse atingido, os surrealistas propuseram uma série de técnicas com o intuito de deixar livre o potencial imaginativo e criativo do subconsciente.
Em suma, a estética desse movimento é baseada na representação da natureza de forma hostil, os seguidores do movimento são influenciados pela psicanálise de Freud, sobressaindo tudo aquilo que é considerado inconsciente, e ignorando o consciente. E o principal representante abstrato desse movimento é o “sonho”, propriamente dito.

Contracultura
Motivados pelo sonho de liberdade e combate à repressão político-social, os jovens buscavam novos espaços em meio a essas grandes emoções. E eles acabaram criando uma construção estética que ecoava como um modismo, e que facilita o entendimento das relações sociais e os desejos dos jovens naquela época.
Os jovens queriam mudar o mundo, e em todo lugar surgiam movimentos que afetariam a sociedade de uma maneira irreversível, iniciando-se pela negação dos valores norte-americanos e se expandindo para outros continentes.
Incitados pela negação dos valores, surge o movimento hippie, criado por jovens que vivem a adversidade pregada pela cultura do lugar em que vivem. Um exemplo clássico são os americanos que, por exemplo, cortavam o cabelo rente, semelhante ao militar, os hippies faziam completamente ao contrário, cultuando o cabelo comprido, despenteado, e a barba não podia faltar. E não era só o cabelo ou a barba que traziam grandes mudanças, a forma de se vestir, utilizando brim e sandálias (contrapondo-se ao terno e a gravata), o costume de não tomar banhos frequentes, e o uso de maconha e ácidos também sinalizava uma grande adversidade com relação ao americano comum daquela época.
E ainda se tratando de cultura hippie, estes jovens propuseram o comunitarismo rural e a atividade artesanal, tendo a sua fonte de renda baseada na venda de pequenos produtos de fabricação própria (anéis, colares, etc), o que hoje é muito associado aos objetos artesanais comercializados em praias. Eles ainda trouxeram grandes questões que até hoje são discutidas em todo o mundo, como por exemplo, o amor livre e a abolição do casamento convencional. Muitas vezes eles são taxados como desocupados e desrespeitosos, mas essa foi a melhor forma que os jovens encontraram de protestar contra a sociedade da década de 60 em diante.
Esteticamente falando, esse movimento também influenciou a música, fazendo com que a cultura do rock fosse amplamente divulgada. Apesar do que muitos pensam, o estilo musical conhecido por reggae não tem uma relação tão intrínseca com o movimento hippie quanto parece. Este movimento apenas apoiava músicas que também aderiam a sua causa, mas isso não significa que estavam diretamente ligados.

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