Donald Trump: O candidato diferente do presidente

No dia nove de novembro deste ano a eleição presidencial da maior potência do mundo chocou a todos, o candidato com posicionamento mais conservador, para o espanto de muitos, foi eleito presidente da maior potência militar e econômica. De fato, e por hora, tal eleição não representa nenhum risco iminente para a sociedade, mas todos temem que a ideologia de Trump seja disseminada mundo afora.

Donald Trump não possui uma carreira política de destaque, mas o seu poder aquisitivo é exorbitante, o que faz com que o bilionário seja amplamente conhecido, mesmo antes das eleições. Apesar de falir em alguns casos, o presidente eleito dos EUA pode ser considerado, por muitos, como o símbolo da ascensão financeira, já que hoje ele conseguiu se reerguer e pode ser considerado um dos homens mais poderosos do mundo. Seu posicionamento sempre foi amplamente divulgado, com destaque para o conservadorismo exacerbado, e a política nacionalista.

A discussão é que, no seu discurso de vitória, Trump acalmou os ânimos e disse que o seu país precisa se unir, pois ele será o presidente de todos e para todos, o que contrariou o próprio discurso que ele pregava enquanto candidato. Muitos especialistas disseram que o motivo dessa mudança talvez se deu pelo fato de que agora ele deve governar pelas minorias também, já que é a aprovação do seu governo, pela sociedade estadunidense, que está em jogo. O fato é que este foi apenas o primeiro dos seus próximos discursos, e um governo de quatro anos ainda o espera, e todos esperam que este governo não seja tão repreensivo quanto os discursos do próprio Donald Trump enquanto candidato.

Lula está para Mandela?

“A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E, se me deixarem solto, viro presidente de novo”, esta foi uma das últimas frases do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com relação às investigações da operação Lava Jato. A questão em si é que o então ex-presidente afirma estar de consciência limpa, e acha um absurdo que as investigações sejam voltadas para a sua pessoa, tudo isso por uma simples condução coercitiva imposta ao mesmo. O que não é nada, se comparado ao destino dado (merecidamente) aos envolvidos nos esquemas de corrupção investigados.

O problema é que, mesmo com todos esses escândalos envolvendo pessoas ligadas ao ex-presidente, e agora até mesmo à própria pessoa, ainda existem pessoas que defendem aquilo que foi feito por ele na época de seu mandato. Uma coisa é certa, Lula fez muita coisa pelo Brasil naquela época, nada mais do que a sua obrigação para com o cargo ocupado. E se hoje ele errou, deve ser tratado como todo cidadão que desobedece as leis impostas, independente se ele fez ou não coisas boas no passado, uma atitude certa não deve justificar outra errada.

Eis que surge o problema, a “regra de três” não tem lógica, já que, se Lula está para Mandela, a corrupção deve estar para a luta contra o preconceito racial? É óbvio que não, mas foi exatamente o que ele fez, se comparou a alguém que fez de tudo para o bem de uma determinada sociedade, e hoje será punido. A diferença é que Mandela foi preso e considerado um herói, mas não roubou dos cofres públicos, e sim lutou pelos interesses da população africana. Foi solto e se tornou presidente, mas não por falta de opção, e sim por mérito próprio. Morreu e se tornou mártir porque lutou pela igualdade, e não tirou o dinheiro de quem tanto precisa, para comprar um triplex, e dizer que recebeu como presente. Enfim, Lula está muito longe de ser comparado a Mandela, e muito distante do tudo aquilo que disse em sua frase.

Mas talvez esteja o mais perto possível de obter êxito, se a população não se conscientizar de que as coisas boas já se foram, e a crise atual, mesmo que não seja nada comparada às crises passadas, não condiz com um país em desenvolvimento. Por incrível que pareça a bolsa de valores teve alta, e o dólar queda, quando o ex-presidente foi levado à condução coercitiva. E não, o dólar não só vale para quem quer fazer viagens ao exterior e esbanjar riqueza por aí, como dizem muitos dos militantes pró-Lula. Vale lembrar que o Brasil possui uma economia baseada, principalmente, em atividade primária, e se o dólar sobe, tudo aquilo que é importado tende a aumentar de preço, e os commodities, exportados pelo Brasil, tendem a perder o seu valor no mercado internacional. Deve-se entender que essa luta não é contra a pessoa em si, mas contra a corrupção no cenário nacional, é uma luta de todos e para todos. O Brasil tem que se unir em busca do bem comum, e não aceitar atitudes que venham prejudicar outras pessoas menos favorecidas. Vale lembrar que um país só cresce, quando toda a população também cresce.